domingo, 2 de dezembro de 2012

Influência da Língua Indígena no Português



O Brasil é sem dúvidas um país de várias raízes e riquezas culturais. O convívio do europeu com os povos negros e indígenas contribuiu para tão grande diversidade linguística que temos na língua portuguesa falada atualmente no Brasil.

 A língua usada entre os índios e o colonizador foi o tupi e graças ao contato com o tupi, a língua portuguesa ganhou um colorido todo especial e se distanciou do português que era falado em Portugal. Com a influência do português, o tupi tornou as palavras mais simples.

 A língua indígena foi se perdendo de nós com a miscigenação que o Brasil sofreu e hoje muitas pessoas acabam entendendo o tupi como uma língua enigmática e arcaica, mas não sabem que ela é uma língua viva e falada em muitas regiões do Brasil.

 A Língua Portuguesa incorporou dos índios palavras que se referem principalmente à fauna (sucuri, capivara, tatu); à flora (mandioca, abacaxi, ipê, buriti); à nomes geográficos (Maceió, Manaus, Niterói) e à nomes próprios (Ubirajara, Janaína, Jurandir).
 É notável que a língua indígena é bem próxima de nós. São palavras que falamos no dia a dia que muitas vezes nem sabemos sua origem.

 CURIOSIDADE: “O tupi foi a língua mais falada em São Paulo até o começo do século XVIII, quando o português se tornou o idioma dominante”. Gomes, L. 1.808, p.116

 Conheça um pouco mais sobre o significado das palavras de origem indígena em: Dicionário Ilustrado Tupi-Guarani http://dicionariotupiguarani.blogspot.com.br/

sábado, 1 de dezembro de 2012

Clara, cultura das raças.




Clara Nunes, uma das maiores cantoras que encantou o Brasil, lançou discos com sambas que homenageavam sua principal religião: o candomblé. Ela foi a primeira artista a assumir publicamente a religião afro-brasileira que, trazida da África pelos escravos, se tornou parte da cultura e do folclore brasileiro.

Esta crença se fortificou no estado da Bahia, porém Clara não tinha nada de baiana, era mineira. Parte de seu visual era composto de flores no cabelo, e colares de búzios. Seu figurino prestava homenagem aos orixás, as cores obedeciam às do santo no dia, azul para Ogum, vermelho para Iansã e Xangô, verde para Oxóssi, amarelo para Oxum, azul e branco para Iemanjá e roxo para Nanã Buruquê. Em seus clipes, muitas velas, atabaques e danças de rituais que caracterizavam o candomblé.
Clara Nunes, eternizada no candomblé como filha de Iansã e Ogum.

Clara se tornou a diva dos terreiros, a guerreira dos orixás, cantou e encantou o Brasil e todo o mundo com o seu samba. Além disso, quebrou paradigmas no imaginário popular.

Em 2012, Clara Nunes completaria 70 anos e, em comemoração, a cantora ganhou um Memorial na sua cidade natal, Caetanópolis, no interior de Minas Gerais.

Confira abaixo um dos principais sucessos de Clara:


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ZUMBI O DESPERTAR DA LIBERDADE

Zumbi foi um revolucionário para seu tempo e pensava na liberdade do seu povo muito antes de se integrar a ele. Para os escravos, ele chegava a ser culto, pois aprendeu português e latim aos 15 anos. Lutou até o último dia de sua vida para a libertação do seu povo em geral. Há poucos relatos sobre Zumbi na história, mas o pouco que se sabe, fez ele se tornar um herói de uma geração. Zumbi era um ótimo estrategista e guerreiro, dominava muito bem a arte da capoeira e de batalhas em campos. Foram poucas as vezes que conseguiram derrotá-lo. Depois de anos de batalha, o quilombo dos palmares foi derrotado, mas Zumbi escapou, e só teve seu fim declarado após a traição do seu amigo. Assim, terminou a história de um herói destemido, e começou uma revolução em seu nome, na qual os escravos perceberam que poderiam ser livres ou morrer tentando. Por esta razão, em 20 de novembro, dia da morte de Zumbi, o homenageamos com o Dia da Consciência Negra.
O fim da escravidão

Música e suas Vertentes na Cultura



Quando falamos de música temos muitas ideias sobre o assunto, o que vai além de nossa imaginação e conhecimento. Neste post, retrataremos a origem da música no contexto indígena e afro, levando em consideração que estamos em um mundo onde tais culturas fortemente se fazem presentes. 

A música indígena tem como base a particularidade de identificar os índios através de seus atos e costumes, ela vai de encontro a um universo transcendente e mágico que é empregado em todos os rituais religiosos. 

Não diferente da cultura indígena, a música na cultura afro mantém suas vertentes em rituais, costumes e elementos da música da língua portuguesa, o que produz uma grande variedade de estilos. Sendo assim, esta influencia muito a música popular brasileira, gerando o que conhecemos como expressões de tal influência, sendo elas: o maracatu, ijexá, coco, jongo, carimbo, lambada, maxixe e maculelê e o mais conhecido samba que marca a cultura brasileira e se destaca. 

As influências são fortes no contexto contemporâneo, afinal o samba de Bezerra da Silva, as raízes nas músicas de Chico Science e Nação Zumbi, a malandragem do velho Cartola e Gabriel O Pensador com Cachimbo da Paz, são alguns exemplos das tradições indígenas e afro. 

Confira alguns dos artistas que mostram, através de suas músicas, as influências que essas raças nos deixaram.











                                                                                                                                                                      

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

“O LIVRO DAS ÁRVORES”


Com o intuito de fomentar a cultura indígena e levar conhecimento às crianças que moram nas aldeias de difícil acesso, vários livros foram criados, um deles é "O LIVRO DAS ÁRVORES" organizado por Jussara Gruber. Esta obra faz parte do projeto “A natureza segundo os Ticuna”, que desenvolve material didático para as escolas das aldeias.

Em "O LIVRO DAS ÁRVORES", a intensa e rica relação dos Ticuna com as árvores emerge dos textos e imagens que contêm conhecimentos práticos, valores simbólicos e inspiração poética.

Esta inspiração gerou o poema abaixo, que fora publicado na obra de Jussara Gruber  e exemplifica a relação do índio com a floresta.

QUALQUER VIDA É MUITA DENTRO DA FLORESTA

Este livro permite conhecer a forma
como os Ticunas tratam a linguagem escrita.
Se a gente olha de cima parece tudo parado.
Mas por dentro é diferente,
A floresta está sempre em movimento.
Há uma vida dentro dela que se transforma
Sem parar.
Vem o vento.
Vem a chuva.
Caem as folhas,
E nascem novas folhas.
Das flores saem os frutos.
E os frutos são alimento.
Os pássaros deixam cair sementes.
Das sementes nascem novas árvores.
E vem a noite.
Vem a lua.
E vêm as sombras
Que multiplicam as árvores.
As luzes dos vagalumes
São estrelas na terra.
E com o sol vem o dia.
Esquenta a mata.
Ilumina as folhas.
Tudo tem cor e movimento.

(GRUBER, Jussara [org.] O livro das árvores).

O poema acima mostra toda diversidade existente nas florestas, estas representadas pela palavra "VIDA", vida esta que não conhecemos, não com os olhos dos nativos desta terra, olhos que observam a cada detalhe, desde o nascer do dia até o cair da noite. Beleza apreciada e respeitada por um povo que luta para manter sua cultura viva, viva como a floresta onde ela habita.

O poema nos mostra um ciclo que acontece diariamente, mas que visto de cima, de longe, não recebe o devido respeito para ser preservado.

Se você gostou da composição citada acima, ajude a difundir a cultura indígena. Faça o download gratuito de "O LIVRO DAS ÁRVORES", acessando o Portal Domínio Público - biblioteca digital do Ministério da Educação:

A brasilidade no som de Criolo

O som de Criolo combina elementos de diversas tipologias musicais, além de abordar a alma brasileira.


Kleber Cavalcante Gomes, mais conhecido por Criolo, é um rapper com longa carreira musical, mas ganhou devido reconhecimento após o seu mais recente trabalho, o álbum "Nó Na Orelha", disponibilizado gratuitamente na internet e que, em 2011, conquistou 3 prêmios no VMB. Já cantou ao lado de Caetano Veloso e foi lembrado por Chico Buarque em um de seus shows.

A música de Criolo é aclamada pela crítica no país e no mundo, misturando o Rap com outros gêneros musicais (samba, raggae, MPB e soul) sempre incorporando situações da periferia e abordando questões como racismo, miscigenação e brasilidade.


"Eu tenho orgulho da minha cor / do meu cabelo e do meu nariz / Sou assim e sou feliz / Índio, Caboclo, Cafuso, Criolo / Sou brasileiro" canta Criolo em "Sucrilhos"
"Há preconceito com o nordestino / Há preconceito com o homem negro / Há preconceito com o analfabeto / Mais não há preconceito se um dos três for rico, pai." - o rapper parodia a música "Cálice" de Chico Buarque.

Criolo também compôs, junto com o produtor musical Gui Amabis, duas canções para o álbum Memórias Luso Africanas. "Para Mulatu" retrata o período da escravidão. Ouça:


Para conhecer mais sobre o cantor, acesse seu site: http://criolo.net

Nosso povo, nossa cultura, nossa língua, nossa vida.

No início da colonização portuguesa, no Brasil dos anos 1500, o tupi (mais precisamente, o tupinambá, uma língua do litoral brasileiro da família tupi-guarani) foi usado como língua geral na colônia ao lado do português. Isso se deve, principalmente, aos padres jesuítas que estudaram e difundiram a língua indígena. Porém, com a expulsão dos jesuítas em 1759, o português fixou-se definitivamente como o idioma oficial do Brasil.

Atualmente, o nosso país com sua mistura de etnias carrega uma cultura linguística invejável. Tudo isso graças à composição das três raças que formaram a cara do Brasil: o português (colonizador), o índio e o negro.


Pela tradição oral, os caciques das tribos transmitiam o conhecimento para os índios mais novos por meio de mitos, cantos, rituais, pois não conheciam a escrita. Dessa cultura indígena, acabamos herdando várias palavras, mas a maioria de nós, brasileiros, nem sabe que várias delas têm essa influência. São alguns exemplos:


Açaí que virou "moda".

·         Alimentos: abacaxi, açaí, mandioca, entre outros.

·         Estados e cidades: Amapá (árvore medicinal, que auxilia no tratamento de complicações pulmonares) / Uberaba (que significa “água cristalina”) / Ipanema ( “água ruim”).


Arapuca que é conhecida por poucos.

·         Utensílios: arapuca (é um artefato para capturar pássaros, ou pode ser também utilizada em frases como “caí numa arapuca” que quer dizer “caí numa armadilha”).







Atualmente, com a globalização, a difusão e o acesso à informação, a cultura oral brasileira corre perigo. Algo importante a se fazer é preservar essas culturas indígenas, usando a tecnologia a favor, como no arquivamento de documentos linguísticos de um povo que é mais do que apenas nossos conterrâneos, são nossos patriarcas.